quinta-feira, 24 de julho de 2008

SIMPLICIDADE DE NÓS!






Doze moradas de silêncio



hoje é dia de coisas simples (Ai de mim! Que desgraça!

O creme de terra não voltará a aparecer!)

coisas simples como ir contigo ao restaurante

ler o horóscopo e os pequenos escândalos

folhear revistas pornográficas e

demorarmo-nos dentro da banheira

na aldeia pouco há a fazer

falaremos do tempo com os olhos presos dentro das

chávenas


inventaremos palavras cruzadas na areia... jogos

e murmúrios de dedos por baixo da mesa

beberemos café

sorriremos à pessoas e às coisas

caminharemos lado a lado os ombros tocando-se

(se estivesses aqui!)

em silêncio olharíamos a foz do rio

é o brincar agitado do sol nas mãos das crianças descalças


hoje



Al Berto


quarta-feira, 23 de julho de 2008

OS CAMINHOS QUE PERCORRO TOCAM-TE...






Amor, quantos caminhos até chegar a um beijo,

que solidão errante até tua companhia!

Seguem os trens sozinhos rodando com a chuva.

Em taltal não amanhece ainda a primavera.

Mas tu e eu, amor meu, estamos juntos,

juntos desde a roupa às raízes,

juntos de outono, de água, de quadris,

até ser só tu, só eu juntos.

Pensar que custou tantas pedras que leva o rio,

a desembocadura da água de Boroa,

pensar que separados por trens e nações

tu e eu tínhamos que simplesmente amar-nos

com todos confundidos, com homens e mulheres,

com a terra que implanta e educa cravos.



Pablo Neruda

terça-feira, 22 de julho de 2008

AMO-TE TANTO!


Soneto do Amor Total

Amo-te tanto, meu amor ... não cante
O humano coração com mais verdade ...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.


Vinícius de Moraes