terça-feira, 30 de dezembro de 2008

DESEJOS



Devias estar aqui rente aos meus lábios
para dividir contigo esta amargura
dos meus dias partidos um a um
- Eu vi a terra limpa no teu rosto,
Só no teu rosto e nunca em mais nenhum






Húmido de beijos e de lágrimas,
ardor da terra com sabor a mar,
o teu corpo perdia-se no meu.

(Vontade de ser barco ou de cantar.)




EUGÉNIO DE ANDRADE


domingo, 28 de dezembro de 2008

sábado, 27 de dezembro de 2008

VER-TE...

in garatujando blog


Ver-te é como ter à minha frente todo o tempo
é tudo serem para mim estradas largas
estradas onde passa o sol poente
é o tempo parar e eu próprio duvidar mas sem pensar
se o tempo existe se existiu alguma vez
e nem mesmo meço a devastação do meu passado
Ruy Belo

sábado, 20 de dezembro de 2008

SONHO DO TEU OLHAR


Sonhando-me em teu olhar

Debruça-se o teu olhar
Acalentando saudades
Nesta noite em que te abraças
Ao reflexo da tua solidão
Abriga-te a incerteza
De poder ver-te em meus olhos
Voltas-te ao céu repetidas vezes
Passos dispersados ao vento
Mãos descrentes e súplices
Supondo-me ausente

Pairas entre lembranças
Enquanto todas as estrelas
Despem-te da penumbra do teu rosto
Talvez busques a razão nítida de tudo
Quando me abres a porta do sonho
E todos os teus gestos confessam
A tua espera e este amor
Que me pronunciam em teu corpo
Reclamando-te a minha posse

À tua volta, o mar azul bramindo
Sobre as vagas, o teu pensamento
E a aparente recusa do meu tempo
Que pensas não te pertencer
Não há longe, onde me imaginas
Se é em teu peito que repouso
É nele onde me deito
Lânguida e esquecida de mim
É teu coração que alicia meus silêncios
Deixando pulsar em ti
A caligrafia dos meus segredos e sonhos



Fernanda Guimarães


quinta-feira, 24 de julho de 2008

SIMPLICIDADE DE NÓS!






Doze moradas de silêncio



hoje é dia de coisas simples (Ai de mim! Que desgraça!

O creme de terra não voltará a aparecer!)

coisas simples como ir contigo ao restaurante

ler o horóscopo e os pequenos escândalos

folhear revistas pornográficas e

demorarmo-nos dentro da banheira

na aldeia pouco há a fazer

falaremos do tempo com os olhos presos dentro das

chávenas


inventaremos palavras cruzadas na areia... jogos

e murmúrios de dedos por baixo da mesa

beberemos café

sorriremos à pessoas e às coisas

caminharemos lado a lado os ombros tocando-se

(se estivesses aqui!)

em silêncio olharíamos a foz do rio

é o brincar agitado do sol nas mãos das crianças descalças


hoje



Al Berto


quarta-feira, 23 de julho de 2008

OS CAMINHOS QUE PERCORRO TOCAM-TE...






Amor, quantos caminhos até chegar a um beijo,

que solidão errante até tua companhia!

Seguem os trens sozinhos rodando com a chuva.

Em taltal não amanhece ainda a primavera.

Mas tu e eu, amor meu, estamos juntos,

juntos desde a roupa às raízes,

juntos de outono, de água, de quadris,

até ser só tu, só eu juntos.

Pensar que custou tantas pedras que leva o rio,

a desembocadura da água de Boroa,

pensar que separados por trens e nações

tu e eu tínhamos que simplesmente amar-nos

com todos confundidos, com homens e mulheres,

com a terra que implanta e educa cravos.



Pablo Neruda

terça-feira, 22 de julho de 2008

AMO-TE TANTO!


Soneto do Amor Total

Amo-te tanto, meu amor ... não cante
O humano coração com mais verdade ...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.


Vinícius de Moraes